A arte a serviço da evangelização
"A beleza como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens".
Para entender melhor o que escrevi abaixo, leia esta passagem: Rm 10, 9-15.
Através das obras realizadas, o artista fala e comunica com os outros. Por isso, a história das artes não é apenas uma história de obras, mas também de homens.
A sociedade tem necessidade de artistas. No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem a seu gênio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o patrimônio cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum.
O conhecimento da fé pode tirar proveito da intuição artística e levar o homem ao conhecimento de Deus que se faz por um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo. Toda forma autêntica de arte é, a seu modo, um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo. E, como tal, constitui um meio muito válido de aproximação ao horizonte da fé, ou de a existência humana encontra a sua plena interpretação.
A arte de inspiração cristã começou em Surdina, ditada pela necessidade que os crentes tinham de elaborar sinais para exprimirem com base da Escritura, os mistérios da fé e simultaneamente de arranjar um código simbólico para se reconhecerem e identificarem, principalmente nos tempos difíceis das perseguições (peixe, pão, pastor...).
Não faltaram momentos difíceis neste caminho. Exemplo à luta iconoclasta – as imagens sagradas, já então difusas na devoção do povo de Deus, foram objeto de violenta constentação. O Concílio de Nicéia estabeleceu a legitimidade das imagens e do seu culto. O argumento decisivo a que recorrem os bispos para debelar a controvérsia, foi o mistério da encarnação. Se o filho de Deus entrou no mundo das realidades visíveis, lançando pela sua realidade, uma ponte entre o visível e o invisível, é possível pensar que analogamente uma representação do mistério pode ser usada, pela dinâmica própria do sinal, como evocação sensível do mistério. O ícone é venerado por si mesmo, mas reenvia ao sujeito que representa.
A arte mesmo fora das suas expressões mais tipicamente religiosas mantém uma afinidade íntima com o mundo da fé, de modo que, até mesmo nas condições de separação entre a cultura e a igreja, é precisamente a arte que continua a constituir uma espécie de ponte que leva à experiência religiosa. Enquanto a busca do belo junto de uma imaginação que voa mais acima do dia a dia, a arte é por sua natureza, uma espécie de apelo ao mistério.
“O mundo em que vivemos tem necessidade
de beleza para não cair no desespero.
A beleza como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens,
é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo,
que une as gerações, e as faz comungar na admiração”. Vat.II