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Sta Teresinha do Menino Jesus
"Para mim viver a perfeição basta pegar Jesus pelo coração..."


   

   PONTOS FORTES DA ESPIRITUALIDADE TERESIANA

   A PEQUENA VIA
    Teresinha afirma: Como os caminhos, pelos quais o Senhor conduz as pessoas, são diferentes!
   Este caminho chama-se a Pequena Via, ou Pequeno Caminho, síntese da vida e da espiritualidade daquela que foi chamada de filigrana do Espírito Santo pelo filósofo Emanuel Mounier.
   Pequena e frágil, Teresinha tinha consciência de ser um nada diante de Deus. Meditava a vida dos santos e ficava encantada com seus gestos de heroísmo, suas duríssimas penitências. Comparando-se a eles, verdadeiros gigantes espirituais, ela se sentia um grão de areia. Mas nem por isso desistiu de buscar a santidade. Apesar de sua pequenez, conseguiu descobrir um pequeno caminho bem direto, bem curto, um pequeno caminho todo novo em sua busca de perfeição.
   Jesus seria o seu elevador e ela, docilmente, se lançaria nele numa vida de entrega e submissão. Estava começando a trilhar a Pequena Via e podia profetizar: ... Como haverá pessoas admiradas ao ver o caminho pelo qual eu fui conduzida!...

   O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
    Teresinha, que sofreu muito pelos escrúpulos e pelo medo dos castigos de Deus, encontrou nos caminhos da Misericórdia o alívio para suas angústias. Fez-se criança, reconheceu a grandeza do Amor de Deus presente no Coração de Jesus e permitiu que Ele rechaçasse de dentro dela toda espécie de temor. "Para mim acho que a perfeição é fácil de se praticar, porque compreendi que basta pegar Jesus pelo Coração..." (Carta 191).
   "Pegar Jesus pelo Coração"... Sábias palavras daquela que, consciente de suas fraquezas, não queria esconder-se do Pai por ter cometido uma falta. Ela queria despertar a ternura de Deus, para que ele nunca se cansasse de tratá-la como a uma filha querida! Na bondade sempre infinita do Coração de Jesus deseja se perder de amor. E na sua inocência, pede: "Dá-me para te amar teu próprio divino Coração!"
   Na esplendorosa Basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Paris, na colina de Montmartre, Teresa esteve em novembro de 1887. Ali, juntamente com Celina, consagrou-se ao Coração de Jesus.
    A devoção teresiana ao Coração de Jesus é exemplar. A ele dedicou belos versos, expressando sua entrega a esse Coração que não poderia enganar sua confiança. Por isso, trabalha para consolá-lo e se prontifica a esquecer-se de si mesma unicamente para encantá-lo. Aceita tudo para atraí-lo, até mesmo o exílio. Sempre missionária, ela gostaria de levar ao mundo inteiro a misericórdia desse Coração, pela qual a humanidade poderá encontrar descanso, força e paz.
   No famoso "Ato de oferecimento de si mesma como vítima de holocausto ao amor misericordioso de Deus", composto no dia 9 de junho de 1895, Teresinha, por sugestão da Irmã Maria do Sagrado Coração de Jesus, não hesitará em acrescentar uma invocação ao Sagrado Coração de Jesus.

   O ESPÍRITO SANTO
    O filósofo francês personalista Emmanuel Mounier, nascido em Grenoble e falecido em 1950 com apenas 45 anos de idade, não hesitou em chamar a Santa de Lisieux de "Filigrana do Espírito Santo". Dessa forma queria considerar os lampejos de Deus a brilhar, através da Pequena Doutora, na escuridão do mundo. Tal brilho, sem dúvida, deve-se muito mais à ação do Espírito Santo que aos esforços de Teresinha em iluminar os corações. Tudo nela é graça! Em carta dirigida a Celina, datada de 15 de agosto de 1893, a Santinha afirma: "Jesus gosta de prodigalizar seus dons a algumas de suas criaturas, mas muitas vezes é para atrair outros corações, e quando alcança sua meta, faz desaparecer estes dons exteriores". E continua: "(Jesus) Gosta de mostrar-lhes o nada delas e o poder Dele".
   Teresinha não desprezou nenhuma moção do Espírito Santo. Seguiu todos os Seus movimentos. Sua alma viveu um constante Pentecostes. Ele, que sopra onde quer, inundou nossa Santa com seus dons, premiando a "pequena flor" do Carmelo com sua aragem suave e renovadora.

   O MENINO JESUS
    Teresa nem entrara no Carmelo e já se questionava a respeito de seu futuro nome como religiosa carmelita. "Sonhou acordada" que seria chamada "Teresa do Menino Jesus". Em outubro de 1882, no parlatório do Carmelo, diante de Madre Maria de Gonzaga, manteve silêncio sobre seu sonho. Para júbilo da futura carmelita, a priora sugeriu-lhe o nome sonhado. A menina viu nessa coincidência a mão de Deus: "Minha alegria foi grande e esse feliz encontro de pensamento pareceu-me uma delicadeza do meu Bem-Amado Menino Jesus". (MA 31v). Ela será a primeira religiosa do Carmelo de Lisieux a receber o sobrenome do Menino Jesus. Em sua pureza, Teresa comporá uma carta de convite para sua tomada de véu, suas núpcias com Jesus, na qual descreverá como dote de casamento da parte de seu noivo a "Infância de Jesus". Recebia dessa forma o título de nobreza "do Menino Jesus" (MA 77v).
   Teresinha será sempre do Menino Jesus. Com ele aprenderá a trilhar a Pequena Via da humildade para ensiná-la aos outros. Como o Menino de Belém buscará ser eterna criança nos braços de Deus Pai.

   ATITUDE DE ABANDONO
    A princípio, Teresa pensou que poderia por si mesma escalar a montanha da perfeição. Mais tarde irá descobrir que nunca alcançará o cimo do monte, se Jesus não "conduzi-la em seus braços", e que sua vontade própria deve se render para alcançar a santidade.
   Ao final de sua vida, confessará: "Demorei muito a chegar a este grau de abandono. Agora já me encontro nele; Deus nele me introduziu, me tomou nos braços e nele me instalei..."(CA 7.7.3).
   A idéia de que a santidade não é fruto de nossas obras, mas da graça de Deus, volta com insistência à mente de Teresa nas Últimas Palavras: "Ainda que eu tivesse realizado todas as obras de São Paulo, continuaria acreditando-me um servo inútil; e é nisso que consiste minha alegria, pois, não tendo nada, tudo receberei de Deus"(CA 23.6; cf CA 6.8.4). Ela não quer fazer "provisões" (MA 76r), nem "acumular méritos" (Or 6). Sua pobreza não o permite (Cf CA 6.8.8).

   A DESCOBERTA DO AMOR MISERICORDIOSO
    Teresa descobre o Amor misericordioso em setembro de 1894, a partir de uma leitura "profunda" de alguns textos bíblicos que lhe são oferecidos por Celina. Isso encontra-se relatado no Manuscrito C, pouco antes de sua morte. (MC 2v-3r).
   Assim o entende Teresa: "Em lugar de desanimar, disse a mim mesma: Deus não pode inspirar-me desejos irrealizáveis; portanto, apesar de minha pequenez, posso aspirar à santidade" (MA 2v).
   A descoberta da misericórdia de Deus é, no fundo, um aprofundamento no mistério divino do Amor, que aparece aos olhos de Teresa como uma nova luz.
   Teresa encontrou a chave de sua santificação: a humildade e a confiança. A humildade não é simplesmente a aceitação das limitações pessoais mas especialmente abertura ao abandono confiante nos braços de Deus. Não se trata de ser humildes para os outros, mas humildes diante de Deus, conscientes de que tudo é dom d’Ele.

   AMOR A EUCARISTIA.
    Está fora de discussão a grande estima de Teresa pelo sacrifício eucarístico. Seus pais iam cotidianamente à igreja para participar da Missa. Teresinha, ainda bem pequena, não quer privar-se de sua missa e espera o regresso de sua irmã Celina que lhe trará o pão bento da igreja: comê-lo com devoção representa "sua missa".
   Teresa aprendeu que Jesus está presente em nossos altares. Diariamente fazia com seu papai a visita ao Santíssimo Sacramento, cada dia visitando uma nova igreja. Seu pai tem tanta fé na presença real que, freqüentemente, ele chora emocionado de joelhos ante o sacrário. Este fato deixa Teresa impressionada e jamais o esquecerá. Gostava de"jogar flores aos passos de Deus" durante as procissões do Santíssimo. Por ocasião da festa de Corpus Christi, vai com suas companheiras ao monte do colégio interno que freqüenta para colher abundantes flores que, no dia da festa, jogará quando passar a custódia. E ela se rejubilas quando as rosas desfolhadas tocam a custódia que o sacerdote leva na procissão.
    À Celina, que lhe escreve dando notícia - escandalizada - do abandono em que se encontra o sacrário de certo lugar recentemente visitado, Teresa responde: "Façamos de nosso coração um pequeno tabernáculo onde Jesus possa se esconder" (Cartas 108).
   Teresa é uma das almas mais eucarísticas da Igreja. Apesar de seu amor a Jesus Eucaristia, foi privada de recebê-los nos últimos meses de sua vida. Mas não se deixou abater. Para ela "tudo é graça". Na verdade, seu grande sonho era ir mais além do que a comunhão na terra:
   "Que será quando recebermos a comunhão na morada eterna do Rei dos céus?... Então, não veremos mais terminar nossa alegria!" (MA 60r)

   Um abraço fraterno.
   Louvor e Alegria !

   


   

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